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Mau uso das lentes de contato pode levar à cegueira

Trocar os óculos de grau pelas lentes de contato pode parecer cômodo no primeiro momento, mas nem sempre é bom negócio. Se o usuário não for rigoroso na higienização das lentes e não respeitar os prazos de validade, abre as portas para a proliferação de parasitas e diversos problemas de visão, inclusive cegueira e até perda do globo ocular. 

A contaminação pelo protozoário Acanthamoeba spp

Um dos parasitas originados por falhas no manuseamento das lentes de contato é o protozoário Acanthamoeba spp, que gosta de viver na água. Embora os médicos não saibam explicar a exata relação deles com as lentes, o mau uso do produto - especialmente das versões gelatinosas - pode provocar ceratite ocular. O caso é tão grave que, no Brasil, 25% das pessoas que sofrem com a doença requerem transplante de córnea para recuperar a visão. 

Mas como o contágio acontece? As hipóteses mais cogitadas pelos oftalmologistas incluem banho diário e atividades em piscinas coletivas, ambas tendo a exposição à água como principal fator de risco. Ao lavar as lentes, é importante usar os produtos de solução para desinfecção, que não devem ser reutilizados. 

O tal protozoário é tão perigoso, que também pode trazer outras consequências, como glaucoma, catarata, inflamação da esclera e da retina, queda da pálpebra e cegueira. Além disso, é capaz de afetar a saúde mental do paciente, provocando depressão como reação ao quadro desgastante.

O quadro da ceratite ocular

A ceratite provoca dor, lacrimejamento, ardência, coceira, fotofobia (sensibilidade à luz) e dificuldades para enxergar. Os especialistas alertam que o diagnóstico não é simples e que os tratamentos são feitos com antibióticos e colírios nem sempre disponíveis no Brasil. O processo de recuperação é longo e não necessariamente traz os resultados esperados. O uso prolongado das medicações, pode, inclusive, prejudicar a córnea - como um efeito colateral da terapia. O transplante é uma opção quando o estágio da doença está muito avançado, mas, ainda assim, não é garantia de que a visão será totalmente recuperada.

Apesar de rara, a ceratite por Acanthamoeba tem sido cada vez mais comum no Brasil. Médicos relatam dois ou três atendimentos por semana em decorrência do problema - o que é considerado bastante em se tratando de uma doença rara. Nos casos mais graves, um quarto dos pacientes perdem a visão parcial ou totalmente. Neste cenário, o diagnóstico precoce faz toda a diferença. Por isso, diante do menor sintoma, o paciente deve procurar ajuda médica imediata. 

Fonte: Medical Site

18 de Julho de 2019